Novo Testamento
Romanos
Romanos - Capítulo 1 | Romanos - Capítulo 1 |
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| Escrito por Administrator | |
| 23-Apr-2008 | |
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Devemos ter em mente que a contextualização histórica e sociocultural auxilia em muito na compreensão da sociedade à época do apóstolo Paulo, porém, pouco auxilia na compreensão das nuances que firmam a idéia que o apóstolo procurou transmitir. IntroduçãoHá vários quesitos a serem observados quanto à interpretação das cartas bíblicas. No decorrer deste estudo sobre a carta aos Romanos destacaremos vários quesitos necessários a uma interpretação segura. Em primeiro lugar faz-se necessário ler o texto da carta desconsiderando as divisões em capítulos e versículos. O leitor deve ter em mente que as divisões foram feitas somente para auxiliar na localização de frases nos textos, e que elas não guardam vínculos com a estrutura de idéias que a carta desenvolve. Caso o leitor interprete o capítulo um da carta aos Romanos sem considerar os capítulos dois e três poderá incorrer em vários erros. Em segundo lugar é necessário contextualizar a carta com aspectos pertinentes a vida do remetente. A contextualização não deve se ater a eventos históricos, onde se destacam somente elementos pertinentes a sociedade de então. Devemos ter em mente que a contextualização histórica e sociocultural auxilia em muito na compreensão da sociedade à época do apóstolo Paulo, porém, pouco auxilia na compreensão das nuances que firmam a idéia que o apóstolo procurou transmitir. Devemos ler a carta como um texto uníssono, isto é, sem divisões, fazer uma interpretação deste texto e depreender aspectos importantes da mensagem que o escritor da carta é acostumado a desenvolver. Depois é preciso aplicá-la à idéia geral que a carta procura transmitir. Para compreendermos o capítulo um da carta aos Romanos seguimos o seguinte raciocínio:
Observe que a idéia da carta é única, e não se restringe as divisões em capítulos. Durante a interpretação não podemos perder de vista que:
Qualquer interpretação que destoe das proposições acima deve ser desconsiderada. Caso alguém interprete um texto e conclua que a salvação é por obras, deve rever a sua análise, pois esta não foi a idéia que o escritor procurou transmitir. Os judaizantes, os legalistas, os moralistas e os formalistas sempre se empenharam em demonstrar o quanto a humanidade está perdida apontando as depravações dos pagãos. Paulo, por sua vez demonstra que a humanidade está perdida, não por questões comportamentais e morais, e sim, por todos estarem debaixo do pecado Rm 3: 9- 19. O homem é pecador porque foi concebido nesta condição Sl 51: 4. O pecado está vinculado diretamente a natureza do homem, e não às suas ações. O homem é pecador por ter nascido da semente corruptível de Adão, vendido como escravo, e sob condenação "Pois como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores..." Rm 5: 18. Descobrir o que motivou o escritor da carta é o terceiro quesito que auxilia, em muito, a interpretação de uma carta. Com esta análise prévia conseguimos evidenciar o objetivo primário do apóstolo quando descreve a depravação da humanidade: fazer calar a boca daqueles que diziam que Paulo apregoava ser necessário fazer o mal, para que venham bens "Façamos males, para que venham bens?" Rm 3: 8.
Capítulo I - Carta de Paulo aos Romanos Apresentação Pessoal e do Ministério 1 PAULO, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus, O apóstolo Paulo dá inicio a sua carta aos cristãos em Roma com uma apresentação pessoal. Ele se considera servo de Cristo e utiliza um termo que deriva do verbo 'deo' que significa ligar, algemar, aprisionar. Paulo entendia ser prisioneiro de Cristo, ligado ao serviço do seu Senhor. Paulo demonstra que foi chamado para ser apóstolo. Observe que a posição de apóstolo não foi imposta a Paulo, antes ele foi chamado para o apostolado. Não há como alguém ser chamado para o apostolado sem se submeter ao senhorio de Cristo. Um descrente não teria como ser chamado para desempenhar a missão de apóstolo. O evangelho é um chamado aos descrentes, que se crerem, estarão habilitados para a salvação. Porém, o chamado do evangelho não habilita o crente para o apostolado. O chamado para o apostolado é distinto do chamado do evangelho. Este chamado é para o serviço no evangelho, e aquele para tornar-se possessão do Senhor. Paulo estava cônscio da sua missão: foi separado para anunciar as boas novas do evangelho de Deus. 2 O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras, 3 Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, 4 Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor, O Velho Testamento é nomeado por Paulo de Sagradas Escrituras. Para ele o A. T. contém as promessas de Deus acerca do seu Filho, Jesus. Para entendermos quem é o Cristo de Deus prometido nas escrituras através dos profetas é necessário compreender que:
Através do livro dos Gênesis conhecemos que todos os homens, quando nascem, são filhos de Adão segundo a carne. Cristo, o Verbo de Deus, não nasceu na mesma condição dos homens, visto que ele não foi concebido em pecado da mesma forma que o foi o rei Davi Sl 51: 5. O Espírito de Deus misteriosamente fez Maria conceber, o que tornou Cristo livre do pecado de Adão "Descerá sobre ti o Espírito santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra" Lc 1: 35. Cristo nasceu com um corpo carnal, porém não foi gerado segundo a carne. Para ser gerado segundo a carne João demonstra em seu evangelho que é necessário nascer do sangue, da vontade da carne e da vontade do homem Jo 1: 13. Ou seja, jamais Cristo teve qualquer relação com a semente corruptível de Adão. A única relação de Cristo com a carne ficou por conta de Maria, uma descendente da linhagem de Davi, o que deu direito a seu descendente se assentar sobre o trono de Davi. Por meio de Maria, Cristo passou a ter direito sobre o trono de Davi, mas o pecado de Adão não o alcançou, visto que, Cristo não nasceu da vontade do varão "Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no SENHOR" I Co 11: 11. Observe que os nossos pais no Éden somente reconheceram que estavam nus após Adão comer do fruto, ou seja, a vontade do varão fala da união "homem e mulher". Eva comeu do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, e não 'viu' que estava nua. O estado pecaminoso se efetivou somente após Adão comer do que foi oferecido por Eva. Quando Paulo diz que Jesus veio segundo a carne da descendência do rei Davi, demonstra que Cristo tornou-se homem como um de nós, e participou de todas as nossas 'fraquezas' , porém, com direitos plenos ao trono de Davi Hb 4: 15. Outro aspecto da filiação divina se deu na ressurreição dentre os mortos. A ressurreição é uma declaração de Deus que Cristo é o seu Filho. Deus é Espírito de santificação. Pelo fato de Cristo ter sido gerado de Deus, ele permaneceu um ente santo "Por isso o ente santo que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus" Lc 1: 35; Jo 1: 12- 13. O Cristo do qual o apóstolo Paulo tornou-se servo e fez referência aos cristãos em Roma, é aquele que ressurgiu dentre os mortos. A ressurreição, para Paulo, se constitui em evidência clara de que Cristo é o primogênito de Deus e Senhor de todos os cristãos II Co 5: 16. 5 Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, 6 Entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo. Por intermédio de Cristo, Paulo recebeu em primeiramente graça. Graça é o favor imerecido de Deus que dá ao homem salvação. O apostolado diz de certas pessoas que foram chamadas e ensinadas por Cristo pessoalmente. Estas pessoas foram ensinadas e comissionadas para continuar o ministério de Cristo, proclamando a verdade do evangelho com autoridade. A mensagem do evangelho é recebida por fé, e por isso o apóstolo utiliza a palavra fé em lugar da palavra 'evangelho'. A mensagem do evangelho é anunciada a todos, e quem recebe a mensagem, recebe-a por fé. Obedecemos a mensagem do evangelho, o que se constitui obediência da fé. A mensagem do evangelho alcança a todas as gentes chamando-as para serem propriedade exclusiva de Cristo. O evangelho convoca dentre os povos, todos os homens para serem servos de Cristo, incluindo judeus e gregos. O evangelho de Cristo não exclui os Romanos, que eram a grande potência econômica e bélica daquela época "Entre as quais sois vós também chamados...". A mensagem do evangelho é um convite. Os chamados dentre os homens serão nomeados santos se, e tão somente se, aceitarem a mensagem do evangelho por meio da fé em Cristo. Obs.: Quando Cristo disse que: "Muitos são chamados e poucos os escolhidos" Mt 20: 16, devemos entender que nem todos os homens ouvirão a mensagem do evangelho. Nem todos serão chamados através da mensagem do evangelho, uma vez que, a mensagem do evangelho não alcançou e nem alçará todos os homens. O evangelho não foi e nem será anunciado a todos os homens, porém muitos ouviram e ouvirão o evangelho (estes são os chamados), porém, poucos são os que hão de aceitar o chamado do evangelho (estes que aceitarem o evangelho passam a condição de escolhidos).
Os Destinatários da Carta 7 A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Paulo saúda todos os cristãos que estavam em Roma com graça e paz. Graça diz do favor imerecido de Deus que foi concedido aos homens. Paulo demonstra que os cristãos são sujeitos do amor de Deus e estão em condição diferente daqueles que não aceitaram a mensagem do evangelho. Quem não crê em Cristo ainda é filho da ira, uma vez que pesa sobre eles a condenação de Adão Jo 3: 18.
8 Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé. Uma das características própria às cartas de Paulo é o momento de agradecimento a Deus logo após as saudações. As suas cartas seguem um padrão semelhante: Apresentação pessoal, saudação e agradecimento. Ex: I Co 1: 1- 4; II Co 1: 1- 3; etc. Paulo havia recebido noticias de que em Roma algumas pessoas também haviam recebido a mensagem do evangelho. Paulo estava contentíssimo, visto que o mundo conhecido de então estavam recebendo noticias de que também havia cristãos em Roma. 9 Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós, 10 Pedindo sempre em minhas orações que nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco. O apóstolo evoca a Deus como testemunha de quantas vezes fez menção dos cristãos romanos quando em oração. Diferente de outras cartas em que o apóstolo roga a Deus que conceda conhecimento aos cristãos, nesta carta Paulo ora pedindo que Deus conceda, segundo a sua vontade, uma oportunidade para visitar os cristãos em Roma. Diferente do que se apregoa no 'evangelho da prosperidade', o apóstolo não exige, antes pede que, segundo a sua vontade, Deus lhe conceda boa ocasião de ir ter com os cristãos. 11 Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados; 12 Isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha. Paulo ora constantemente e louva a Deus pela existência dos cristãos em Roma, motivado pelo desejo de vê-los pessoalmente. Paulo desejava confortá-los anunciando as dádivas recebidas de Deus. O encontro serviria para conforto mútuo, onde Paulo teria contato com os cristãos e observaria a obediência deles no evangelho, e os cristãos teriam a oportunidade de observarem pessoalmente o zelo de Paulo no evangelho. 13 Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios. Do exposto, Paulo reitera que se propôs a ir a Roma por várias vezes, porém, foi impedido. Ele não apresenta os impedimentos que surgiram, e não devemos conjeturar a respeito. O desejo de Paulo era ter algum fruto entre os Romanos da mesma forma que ele obtivera entre os demais gentios. 14 Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. Paulo sentia-se devedor a todos os homens, não se importando com nacionalidades, origens ou etnias. A dívida que Paulo contraiu por causa do amor de Cristo se estendia aos bárbaros e gregos; ele queria alcançar tanto a sábios quanto a ignorantes. A disposição de Paulo não era somente para com os estrangeiros. 15 E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma. Se dependesse tão somente do apóstolo, ele estava pronto a ir a Roma para anunciar as boas novas de Cristo.
A Motivação de Paulo Há um exercício muito útil na descoberta dos eventos que motivaram o escritor da carta. Durante a leitura é preciso se posicionar como sendo o próprio escritor da carta, questionando as alegações de Paulo da seguinte maneira: Quais os motivos que levaram o apóstolo a afirmar que não se envergonhava do evangelho Rm 1: 16; Por que Paulo procurou demonstrar aos cristãos que até aquele momento tinha sido impedido de ir a Roma Rm 1: 13; Você deve se perguntar sobre os motivos que levou Paulo a enfatizar que era devedor tanto a gregos como a bárbaros Rm 1: 14. Estas perguntas são essências a compreensão, em certos momentos das cartas, onde não há uma exposição doutrinária, como é o caso de Romanos um, versículo oito a quinze. Outro bom exercício é se posicionar como sendo um dos cristãos romanos que receberam a carta de Paulo. Durante a leitura devemos ter em mente quais eram as expectativas dos leitores, levando em consideração as condições dos cristãos como cidadãos romanos. Quais seriam as expectativas acerca de alguém que serviu o governo Romano, perseguindo a igreja de Deus, e que, agora, era um dos cristãos que anunciavam o evangelho? Em terceiro lugar devemos reler as outras cartas do apóstolo fazendo comparações entre elas. Conhecer alguns subsídios históricos e geográficos ajudará na leitura, ainda que estes subsídios não são essenciais a compreensão do texto. É bom conhecer que a carta aos Romanos foi escrita em Corinto durante a terceira viagem missionária de Paulo; é bom saber que o escrevente da carta era Tárcio Rm 16: 22, e que Paulo estava hospedado na casa de Gaio, um abastado irmão Rm 16: 23. Porém, o leitor deve estar cônscio de que subsídios históricos e geográficos não auxiliarão na compreensão da doutrina de Cristo, e nem na compreensão de certas nuances do texto. Ora, se sabemos que Paulo escreveu aos Romanos quando estava em Corinto, devemos ler e relacionar os problemas que ele mais abordou nas cartas aos Corinto e perceber certas nuance destes problemas nas abordagens e explanações que faz aos cristãos em Roma. Somente as cartas de Paulo contêm subsídios que fará o leitor entender as exposições que ele faz em uma carta em específico. Exemplos:
Note que é Deus quem nos santifica. Não cabe ao homem tal incumbência, pois esta é uma glória que pertence a Deus. Não é o homem que se separa como propriedade do Senhor, e sim Deus, que o separa para si. Como considerar que aquele que crê em Cristo não é de fato santo, se Jesus é sabedoria, justiça, santificação e redenção Rm 1: 31? Já deixamos de ser imundos, visto que já fomos lavados, santificados, justificados em nome de Cristo I Co 6: 11. Paulo é claro na sua exposição: "E tais fostes alguns de vós" I Co 6: 11. A imundície é algo do passado. Se alguém não entende a extensão da doutrina da santificação, não deve teorizar a respeito do que não entende. Compare: I Co 1: 8; Fl 1: 10; I Pe 5: 10; I Ts 5: 23- 24.
O evangelho é o tema das cartas de Paulo, e ao escrever aos Romanos não seria diferente, visto que ele sempre propôs aos irmãos conhecerem a Cristo I Co 2: 2. Estas pequenas comparações entre as cartas levará o leitor a perceber que, quando Paulo identificava um problema que havia se instalado em uma igreja, ele acabava por se antecipar e escrevia a outras igrejas antes que estes problemas acabasse por influenciar tais igrejas. Como Paulo sempre enfatizou a liberdade em Cristo demonstrando o fim da lei em Cristo, muitos judaizantes questionavam a autoridade e as mensagens de Paulo. Estes diziam que Paulo era carnal II Co 10: 2- 3. Paulo por sua vez demonstra que não adianta ter zelo de Deus sem entendimento Rm 10: 2, visto que, Cristo é o fim da lei para justiça de todos quantos crerem Rm 8: 4. Por algumas pessoas dizerem que Paulo era carnal na igreja de Corinto, ele se antecipa e escreveu demonstrando aos cristãos em Roma que ele não andava segundo a carne. Outro aspecto pertinente a uma carta está na construção de idéias. Uma carta não utiliza definições ou conceitos como é próprio dos livros. Diferente dos livros, onde o público alvo é indefinido, as cartas bíblicas tem um público alvo específico. As cartas eram direcionadas aos cristãos especificadamente. Uma carta é construída através de desenvolvimento de idéias, de argumentações com bases nessas idéias e sentimentos comuns ao remetente e ao destinatário. Geralmente se escreve uma carta a alguém que mantém algum vínculo pessoal com o escritor, aspecto este que não existe entre um autor e os leitores de livros. Em uma carta já existe uma linguagem que é comum ao escritor e aos destinatários. Já em um livro é necessário a construção de uma linguagem, principalmente por meio de conceitos e definições, e quase sempre amparado por signos lingüísticos contemporâneos ao escritor e leitores. Em uma carta o prefácio e a saudação devem ser analisados em aspectos absolutos. Entendemos que Paulo era 'servo de Cristo' e chamado para o 'apostolado' de modo absoluto, e isto implica que devemos considerar que Paulo escreveu a 'santos' e 'amados de Deus' em absoluto Rm 1: 1- 7. É um contra senso tomar as palavras do apóstolo Paulo em sentido absoluto quando ele declara ser servo de Cristo e apóstolo, e no mesmo contexto entender que os cristãos são santos em sentido relativo. Paulo em suas cartas escreve as igrejas de Deus, pessoas que foram chamadas para serem propriedades de Deus por meio de Cristo Rm 1: 6. Não há como considerar estas declarações de Paulo em sentido relativo. Os motivos da escrita de uma carta são inúmeros, e para determiná-los é preciso estudar os vários escritos do remetente e a sua relação com os destinatários. Já em um livro, temos a introdução ou o prefácio, onde os motivos e objetivos do escritos já vêm explicitados. Considerando estes aspectos, estaremos aptos a estudar e compreender melhor as cartas bíblicas. 16 Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Paulo demonstra prontidão quanto a ir a Roma sem ter qualquer obstes quanto ao evangelho. Alguém poderia dar a entender que Paulo ainda não teria ido a Roma por ter vergonha de evangelizar entre os seus concidadãos. Paulo é enfático: "Não me envergonho do evangelho...". O evangelho é a boas novas de Deus aos homens. Como boas novas do reino ele é anunciada na forma de convite, e a todos quantos ouvirem. Quem ainda não creu no nome de Cristo está na condição de chamados "... nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus" I Co 1: 23- 24. Após aceitar o convite do evangelho, o homem passa a condição de 'eleito', ou 'vocacionado'. Quem crê passa a condição de 'eleito': "Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados" I Co 1: 26. Aqueles que crêem no evangelho, ou seja, que crêem no nome de Jesus, estes recebem poder para salvação. Estes são feitos (criados) novamente na condição de filhos de Deus. Não há qualquer impedimento para a salvação daqueles que crêem. Deus transforma tanto gregos como judeus em seus filhos através do poder que o evangelho de Cristo contém. Observe que esta abordagem Paulo faz em quase todas as suas cartas: a universalidade do evangelho. 17 Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé. No evangelho de Cristo a JUSTIÇA de Deus torna-se conhecida dos homens. A descoberta da justiça de Deus, ou o conhecimento da justiça de Deus não é um conhecimento vinculado à considerações filosóficas. Antes a justiça de Deus torna-se conhecida por se manifestar na vida daqueles que tem fé em Cristo. Paulo fala de um conhecimento experimental, e não da compreensão que satisfaça as indagações humanas. Como entender que a justiça de Deus é de fé em fé? O parâmetro para entendermos a declaração de Paulo encontra-se no trecho que ele cita das escrituras: "Mas o justo viverá da fé" Hc 2: 4. O livro de Habacuque contém os elementos necessários a compreensão do texto de Paulo. No livro de Habacuque lemos que o profeta clama a Deus em oração preocupado em receber a resposta do Senhor: "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás?" Hc 1: 2. O profeta destaca que, por Deus não agir, a lei havia se afrouxado e a justiça nunca se manifestava "Por isso a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta" Hc 1: 4. Paulo demonstra que a justiça de Deus já havia se manifestado através do evangelho, caso alguém em Roma ainda estivesse com as mesmas questões que o profeta Habacuque. O que Habacuque reclama no versículo quatro, tem resposta em Romanos um, versículo dezessete. "... e a justiça nunca se manifesta" Hc 1: 4; A resposta de Deus é clara as questões do profeta Habacuque: "Vede entre as nações, e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos, porque realizo em vossos dias um obra, que vós não crereis quando for contada" Hc 1: 5. Deus prometeu uma obra maravilhosa, porém o profeta não entende porque os caldeus estavam devorando o seu povo, se eles eram 'mais pecadores' do que os israelitas Hc 1: 13. A obra prometida a Habacuque foi realizada nos dias de Cristo em meio ao povo de Israel, porém não creram Jo 1: 11. Porém, ainda que o profeta não havia compreendido a ação de Deus, demonstra confiança e se refugia em aguardar a resposta do Senhor "Sobre a minha torre de vigia estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que fala comigo, e o que eu responderei a esta queixa" Hc 2: 1. Enquanto o profeta pensava em questões amenas como: "O ímpio cerca o justo, e a justiça é pervertida" Hc 1: 4, Deus lhe dá resposta para questões eternas: "Eis o soberbo! A sua alma não e reta nele; mas o justo viverá pela sua fé" Hc 2: 4. Deus sempre cuidou do povo de Israel, mesmo quando eles estavam sendo perseguidos. As nações que oprimiam o povo do profeta faziam conforme o conselho do Senhor. Porém, estas questões não eram de maior importância. A ação de Deus sempre foi manifestar aos seus profetas como se da a sua justiça aos homens. [pagebreak] O soberbo, aquele que sente-se abastado e que não confia em Deus, a sua condição perante Deus não é reta. Outras traduções rezam: "Eis que a sua alma se incha, não é reta nele..." Hc 2: 4. Estes são os 'ricos', os 'abastados', os 'soberbos', os cheios de 'gordura', que tem a alma inchada por confiarem em suas posses, e não reconhecem que necessitam de Deus. Enquanto o profeta entendia que o problema da humanidade residia na opressão dos ímpios e na perversão da justiça humana, Deus anuncia que o maior problema da humanidade esta na falta de confiança em Deus. Somente aqueles que em Deus confiam tem uma natureza justa. Estes são justos perante Deus e viverão diante de Deus pela sua fé. Esta idéia do texto de Habacuque é retransmitida aos cristãos em Roma. Em conformidade com que Deus disse a Habacuque: "O justo vivera da fé", Paulo demonstra que o evangelho é poder que concede vida aos homens, por intermédio do evangelho, que é Cristo, Deus cria filhos para Si Jo 1: 12, revelando as bases da sua justiça "nele se descobre a justiça de Deus": A justiça de Deus é de fé em fé, ou seja, todos quantos crêem devem permanecer confiantes como Habacuque. A obra perfeita que a fé realiza é nomeada de perseverança. Quem crê em Deus, nele persevera. A idéia que Paulo expõe nestes dois versículos será concluída depois de uma extensa argumentação. Perceba que Paulo concluirá esta exposição inicial acerca do evangelho lá no capítulo três, versículo vinte e um: "Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé (...) Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença" Rm 1: 16- 17 e Rm 3: 21- 22. O leitor da carta aos Romanos precisa estar atento as argumentações e a idéia principal que está sendo desenvolvida. Qual a idéia básica desenvolvida por Paulo? O evangelho é poder de Deus para salvação de todos quantos crerem! Esta idéia será mantida por toda carta. Paulo a apresenta no capítulo primeiro, versos 16 e 17, e continua no capítulo três, versos 21 e 22. Porém, entre as exposições da idéia principal, há as argumentações que são as bases que dão sustentação a idéia principal. O estudo que se segue é sobre uma das argumentações de Paulo que dá suporte a idéia da salvação por meio do evangelho de Cristo e que desmente a concepção de que Paulo era libertino (sensual, lascivo ou devasso).
A Depravação da Humanidade Paulo reitera aos cristãos que a ira de Deus se manifesta contra a impiedade e injustiça, porém os descrentes não sabem desta realidade descrita no versículo dezoito. Os cristãos conhecem e entendem que a ira de Deus é a retribuição pelas injustiças e impiedades praticadas pelos homens; também compreendem que o juízo de Deus se deu em Adão, porém, no dia da ira também será dado a conhecer o juízo de Deus que se deu em Adão, e que os homens desconhecem Rm 2: 5. Aprendemos em Habacuque que o maior problema do homem está na falta de fé em Deus, e não nas impiedades e injustiça praticadas pelos homens; esta verdade é repetida por Paulo ao demonstrar que o maior problema do homem persiste quando ele detém a verdade pela injustiça. Com base nestas informações iniciais a estrutura de idéia destes dois versículos fica assim: "Do céu se manifesta a ira de de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade pela injustiça, visto que o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lhes manifestou" (v. 16 e 17). Da mesma forma que os cristãos entendiam que o evangelho é poder de Deus para salvação, eles também entendiam que a ira de Deus se manifesta desde os céus sobre as impiedade dos homens que não crêem em Deus (homens que detêm a verdade em injustiça). A oração 'visto que o que de Deus se pode conhecer' na gramática portuguesa é uma Oração Subordinada Adverbial Causal, caracterizada pela conjunção 'visto que', pois funciona como uma adjunto adverbial de causa. A idéia que foi exposta na primeira oração é complementada pela oração seguinte que expõe o que deu causa à idéia. Ou seja, a ira de Deus se manifesta sobre os homens que detém a verdade em injustiça porque esta é a única coisa que eles podem conhecer de Deus. Devemos ter em mente que todas as colocações de Paulo foram feitas a cristãos, e portanto, dentro da compreensão que era pertinente a todos eles. 18 Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. O que aprendemos com a citação de Habacuque também se aplica deste versículo até o versículo trinta e dois: a depravação da humanidade é uma evidência da falta de fé em Deus, e não o pior problema da humanidade. A depravação que Paulo descreve em linhas gerais não é o pior mal da humanidade, antes indica algo de maior gravidade e que aprisiona a humanidade: o pecado da incredulidade! Da mesma forma que Habacuque se ocupava em questionar a justiça de Deus por causa de questões sociais, éticas e morais, hoje muitos questionam a justiça de Deus por causa dos problemas da sociedade. Por que tantas injustiças? Por que tanta violência? Será que Deus não está vendo? Hc 1: 3- 4. Da mesma forma que a justiça de Deus se manifesta por meio da verdade do evangelho e os homens não conseguem ver, a ira de Deus se manifesta sobre a impiedade e injustiça dos homens, e eles também não conseguem ver. Os homens que detém a verdade em injustiça são a peça chave na leitura deste capítulo. A fé é o elemento pelo qual o homem alcança a justiça de Deus, e a incredulidade é o elemento que detém a ação da verdade, permanecendo a injustiça. O evangelho de Cristo revela a justiça de Deus aos homens, e estes, quando não crêem em Cristo, detêm a verdade em injustiça. 19 Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Somente aqueles que crêem na mensagem do evangelho descobrem a justiça de Deus, pois é isto que o evangelho manifesta a todos quantos crêem. Já aos incrédulos é dado conhecer a ira de Deus, pois mesmo eles não sabendo, a ira de Deus se manifesta neles. Deus manifestou a sua ira sobre os homens que detém a verdade de Deus em injustiça. Visto que os homens vivem em impiedade e em injustiças, a eles compete a ira de Deus. Neles se manifesta a ira de Deus porque é a única coisa de Deus que eles 'podem' conhecer. Os justo não conhecerão a ira, antes terão gozo e paz no espírito Santo, pois não é pertinente a eles conhecer a ira. Aqueles que não crêem terão contato única e exclusivamente com a ira de Deus, pois é isto que eles tem entesourado para si. A ira de Deus se há manifestado entre eles, visto que Deus deixou todos eles entregues as concupiscências de seus corações impenitentes (v. 24). Compete a eles a ira de Deus por serem filhos da ira e vasos da ira, preparados para a perdição Rm 9: 21- 23. Não podemos perder de vista que a culpabilidade dos homens é em decorrência da condenação em Adão, e não por questões morais e comportamentais (impiedade e injustiças). Permanece a condenação e serão alvos da ira de Deus por não crerem na verdade, conforme o exposto por Cristo: "Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não crê no unigênito Filho de Deus" Jo 3: 18.
A Natureza Paulo expõe aos cristãos de Roma que os atributos de Deus, bem como o seu eterno poder e sua divindade são facilmente perceptíveis por tudo quanto está criado por Deus. Ao analisarmos esta declaração de Paulo, devemos ter em mente que ele estava escrevendo a cristãos e que é próprio a eles ver os atributos de Deus na criação. Paulo destaca que Deus 'manifesta' a sua ira sobre a impiedade e a injustiça, é que a ira é algo que somente os injustos podem conhecer. Porém, os ímpios à época de Paulo tinham ciência, ou melhor, sabiam que a ira de Deus se 'manifestava' neles? Os descrentes desconheciam esta verdade! Por que? Porque o texto é uma explanação do apóstolo que demonstra aos cristãos uma realidade pertinente aos injustos. Os injustos são sujeitos da ira de Deus (neles se manifesta a ira), porém, este não é um conhecimento pertinente aos incrédulos. Eles não sabem, ou melhor, não têm ciência de que são sujeitos da ira. Lembre-se que há o conhecer de 'ciência', ou 'estar informado a respeito de', e o conhecer cristão, que é 'Deus em nós e nós nele'. O conhecer do cristão refere-se a união com Cristo. Quando Paulo fala que as evidências presentes na criação depõe contra os homens que detêm a verdade em injustiça, ele fala de um conhecimento (ciência) que não é de total domínio dos incrédulos. Os incrédulos não conseguem perceber que a natureza depõe contra eles quando revela a existência de Deus. O papel da natureza é duplo: a) revela a existência de Deus e desperta a curiosidade de conhecê-lo melhor, e; b) depõe contra aqueles que souberam da existência de Deus e não se importaram de ter conhecimento de Deus (v. 28). O conhecimento proveniente da natureza não condena o homem. A condenação é proveniente da queda em Adão, e o conhecimento da existência de Deus através da natureza somente depõe contra os homens, deixando-os sem qualquer desculpa pelo proceder inconveniente que adotaram neste mundo. Os incrédulos, ao observarem a natureza, souberam da existência de Deus, ou seja, 'pelas coisas que foram criadas'. Já o entendimento dos cristãos é mais amplo diante das mesmas coisas criadas; os cristãos conseguem ver claramente e entender 'os atributos invisíveis de Deus, a criação do mundo, o eterno poder de Deus e a divindade'. Ver e entender claramente é algo pertinente aos cristãos, já os incrédulos tem contato com as coisas criadas, e por isso são inescusáveis quando agem em impiamente. Ao olhar a natureza é possível 'entender' e 'ver' os atributos de Deus e o seu eterno poder? Observe que os atributos de Deus são invisíveis! É possível entender e ver a criação do mundo? É possível entender e ver que o poder de Deus é eterno? Não! Este conhecimento é restrito aos cristãos, que são informados destas verdades através das Escrituras. Agora, o que os cristãos claramente viam e entendiam (a manifestação da ira, os atributos invisíveis de Deus, o eterno poder), os incrédulos também adquiriram 'conhecimento' de Deus por meio das coisas criadas. O conhecimento deles não equivale ao conhecimento dos cristãos: através da natureza somente é possível perceber a existência de Deus, o que não os livra da condenação em Adão! O conhecimento que os incrédulos adquiriram da natureza não os conduz a Deus, antes, os seus raciocínios tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram e não buscaram a Deus. Os homens que detêm a verdade em injustiça já estão debaixo de condenação herdada de Adão, e se mantém inescusáveis quanto as suas ações, visto que souberam da existência de Deus por meio das coisas que foram criadas, mas não deram a devida importância a tal conhecimento e não buscando a Deus. Antes, as suas ações se diversificaram segundo os seus corações e pensamentos, e somente entesouram ira para si Rm 2: 5. A ira de Deus a se manifestar é quanto as ações dos homens, visto que o juízo já foi estabelecido quanto à queda de Adão. A queda trouxe o juízo de Deus, mas as ações dos homens trará a ira e a indignação de Deus. Por que eles se mantém culpáveis diante de Deus? Porque a natureza evidencia que Deus existe, dando aos homens a primeira condição para que creiam em Deus, conforme foi demonstrado aos cristãos Hebreus: "...é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe..." Hb 11: 6. A criação apresenta a primeira condição necessária para que o homem se aproxime de Deus: dá a conhecer a existência de Deus. A criação nunca substituiu o evangelho e não tem condição de 'revelar' a plenitude de Deus aos homens. Somente Jesus, o unigênito de Deus, revelou e revela Deus aos homens Jo 1: 18, dando as condições necessárias para que se creia que 'Deus existe', e é 'galardoador dos que o buscam' Hb 11:6. Saber que Deus existe não livra ninguém da condenação eterna; saber que Deus existe não livra ninguém da condenação do pecado (vide o caso de Caim, que mesmo sabendo da existência de Deus, matou o seu irmão). A natureza 'revela' que Deus existe, porém ela é limitada. A natureza não faz o homem se aproximar de Deus! Somente aqueles que aceitam a verdade do evangelho é que tem acesso a Deus, visto que Jesus é o caminho a verdade e a vida "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14: 6). O conhecimento evidenciado pela natureza jamais conduzirá homem algum a Deus. Entender que é possível alguém ser salvo através da 'revelação' da natureza é temerário, pois:
A ação dos homens, mesmo tendo conhecimento ('ciência') da existência de Deus, foi o de criarem deuses para si. 20 Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Os homens que detêm a verdade pela injustiça permanecem no estado de culpabilidade diante de Deus, mesmo quando é perfeitamente possível entender e ver por meio das coisas criadas, que existe um Deus. A culpabilidade da humanidade se deu em Adão, onde os homens passaram a ser filhos da desobediência e da ira. Os homens que detém a verdade em injustiça permanecem na perdição (culpáveis). A incredulidade dos homens que detém a verdade em injustiça não depõe somente contra o evangelho de Cristo, que é a verdade. A incredulidade se opõe até em coisas por demais evidentes, como as que foram criadas por Deus. O leitor deve perceber que a argumentação de Paulo é direcionada a cristãos. Dentro desta idéia, Paulo demonstra que observar a natureza e entender que Deus existe não absolve o homem de sua culpa. Constatar que Deus existe através das coisas criadas por Deus serve somente para que os homens que detém a verdade em injustiça fiquem inescusáveis. O homem tornou-se culpável em Adão, e quando ele entende que Deus existe através da coisas criadas, torna-se indesculpável. Os elementos que a natureza apresenta, apresenta tão somente para que o homem permaneça inescusável diante de Deus. 21 Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. 22 Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. 23 E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Os homens poderiam inquirir a respeito de Deus quando em contato com as coisas criadas, porém, permaneceram inescusáveis, pois souberam da existência de Deus por meio de suas obras e não lhe renderam graças e nem a glória devida. Ora, se é necessário crer que Deus existe para poder se aproximar dele, a natureza é uma grande aliada, pois o que ela apresenta declara que há um Deus. Apesar dos homens terem conhecimento da existência de Deus, acabaram criando discursos fúteis e seguiram o curso de um coração impenitente herdado em Adão. O ato de renderem adoração as imagens de escultura demonstra o quanto o homem se distanciou do Criador. A natureza apresenta uma verdade, porém, ela não consegue aproximar o homem de Deus. Somente a verdade do evangelho pode reconciliar o homem com Deus. A sabedoria do homem, as suas questões filosóficas os faz inculcar que são sábios, porém, a sabedoria dos homens é loucura perante Deus. As investigações dos homens se demonstram ineficazes, e só distancia o homem de Deus. Eles tornaram-se loucos por concluírem que não precisam de Deus, visto que criam deuses para si. 24 Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; 25 Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. A ira de Deus começa a revelar-se nos homens que detém a verdade em injustiça pelo fato de estarem entregues as concupiscências de seus corações. 26 Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. 27 E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. O apóstolo Paulo descreve o comportamento dos homens que rejeitaram a Deus e seguem as concupiscências de seus corações. As dissoluções, rebeldias e infâmias é resultado da entrega as concupiscências do coração e abandono às paixões infames. 28 E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; 29 Estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; 30 Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; 31 Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; O maior problema da humanidade reside em não se importar em ter conhecimento de Deus. Enquanto o homem não considera em seu coração que Deus existe e que é galardoador daqueles que o buscam, ficam entregues a um sentimento perverso. A disposição mental daqueles que desprezam o conhecimento de Deus é totalmente reprovável. 32 Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem. Mesmo não se importando em ter conhecimento de Deus os homens não podem negar o testemunho da consciência. Mesmo sabendo que são passíveis de morte quem pratica as ações descritas acima, quem não se importa em ter conhecimento de Deus não somente as fazem, como também consentem com quem as pratica. Os homens cheios de malignidade conhecem a justiça de Deus através de uma lei interna e da consciência Rm 2: 15. Eles sabem que as suas ações são reprováveis diante de Deus, porém permanecem na prática desenfreada da maldade. Este trecho da carta aos Romanos (v. 18- 32) tem o objetivo de demonstrar que jamais Paulo apregoou que é necessário fazer o mal, para que o bem venha Rm 3: 8. Este trecho depõe contra a malignidade da humanidade, demonstrando que quem pratica tais coisa são reprováveis perante Deus. O capítulo seguinte apresenta homens que se escudam em acusar o semelhante, mas a condição deles é a mesma que os mais infames dos homens; eles também são reprováveis diante de Deus. |
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| Atualizado em ( 30-Oct-2008 ) |
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