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Home arrow Novo Testamento arrow Paulo agradece a Deus
Paulo agradece a Deus PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Administrator   
23-Apr-2008

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Para uma melhor compreensão das cartas paulinas é necessário observar o seguinte: o apóstolo Paulo agradece a Deus por aquilo que os cristãos já receberam. Quando ele ora pelos cristãos é solicitando a Deus por algo que eles ainda não haviam recebido.

O contexto do versículo 1 é de apresentação. Paulo faz uma apresentação pessoal, dele e de Timóteo.

O contexto do versículo 2 é de saudação, demonstrando Cristo nos cristão “...que é Cristo em vós, esperança da glória”  Cl 1. 27.

Paulo apresenta-se aos destinatários como sendo apóstolo designado por Cristo, e os saúda com graça e paz da parte de Deus e de Jesus Cristo. Na apresentação Paulo nomeia os cristãos de santos e fiéis.

 

Apresentação e Saudação

 1 PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo,

Os remetentes da carta são: o apóstolo Paulo e o seu irmão em Cristo Timóteo.

O apostolado de Paulo decorre da vontade de Deus e segundo a pessoa de Cristo. Este versículo é uma pequena defesa do ministério apostólico de Paulo.

Paulo demonstra não ter se arrogado como apóstolo, antes, pela vontade de Deus, ele foi comissionado para este ministério “... e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” Cl 1. 23 e 25.

 

2 Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

Os destinatários da carta são os 'santos' e 'fiéis' que estavam em Colossos.

Este versículo apresenta os seguintes elementos:

a) Aos santos – A carta de Paulo e Timóteo foi remetida aos cristãos de Colossos e estes são designados 'santos' em Cristo. Por estarem em Cristo, Paulo os chama de santos! Ao lermos textos como “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é” II Co 5. 17; “... mas sim o ser uma nova criatura” Gl 6. 15; “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma; mas sim a fé que opera pelo amor” Gl 5. 6, percebemos que, 'estar em Cristo' significa ser uma nova criatura.  '...em Cristo' é uma maneira resumida de fazer referência à nova criatura, que é criada em verdadeira justiça e santidade “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” Ef 4. 24. Paulo continua nomeando os cristãos de 'santos' por toda a carta: Cl 1. 2; 1. 4; 1. 12; 1. 22; 1. 26 e 3. 12;

b) Aos fiéis – Da mesma forma, Paulo chama os cristãos de 'fiéis'. Em Cristo é que se dá a fidelidade dos cristãos, e não à parte d’Ele. Verifica-se que 'santidade' e 'fidelidade' decorrem de Cristo, condição que se adquire no novo nascimento. Perceba que o cristão não é ‘fiel a Cristo’, e sim, ‘fiéis em Cristo’. Esta fidelidade não decorre de esforço humano para se alcançar (é proveniente do novo nascimento). Compare esta fidelidade (v. 2) com a apresentada no (v. 7);

c) Colossos – cidade ou região onde os cristãos estavam;

d) Graça e paz – graça refere-se ao favor imerecido de Deus e que somente é possível alcançar pela fé em Cristo. Por intermédio de Cristo o homem passa a ter paz com Deus, visto que, sem Cristo o homem é inimigo de Deus “Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho” Rm 5. 10.

 

Agradecimentos a Deus

3 Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós,

O apóstolo agradece e ora pelos cristãos. São duas ações distintas.

Estas duas ações, agradecer e orar, são provenientes de elementos distintos, como veremos a seguir.

4 Porquanto ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes para com todos os santos;

Paulo agradecia a Deus continuadamente após tomar conhecimento da fé dos cristãos. Paulo e Timóteo ouviram acerca da fé e do amor que os cristãos de Colossos nutriam por todos os santos.

Não há como deixar de agradecer a Deus, diante de tão maravilhosa graça: mais irmãos sendo conduzidos à gloria por Cristo.

O amor dos irmãos era demonstrado no Espírito (v. 8), como assevera o apóstolo João "...e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou" I Jo 3: 23.

5 Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho,

O agradecimento de Paulo a Deus é por causa da esperança reservada nos céus aos que crêem.

A esperança dos cristãos esta reservada nos céus, e os cristãos já haviam tomado ciência do que estava reservado, através da palavra da verdade do evangelho que haviam ouvido anteriormente Cl 1. 23 e 27.

 

6 Que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade;

A verdade do evangelho, além de ter chegado aos cristãos de Colossos, também estava se disseminado por todo o mundo conhecido à época. O mundo que o apóstolo Paulo refere-se são: as regiões da Europa, Ásia e África, ou seja, conforme o conhecimento geográfico da época.

O evangelho apresentava os seus frutos em todo o mundo, da mesma forma que estava apresentando frutos entre os de Colossenses.

Quando os cristãos ouviram o evangelho e creram, eles conheceram a graça de Deus em verdade. Passaram a conhecer a Deus, ou antes, foram conhecido Dele.

 

7 Como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo,

Os cristãos de colossos aprenderam o evangelho de Epafras, que segundo Paulo era conservo e fiel ministro de Cristo.

Com esta declaração, Paulo demonstra que Epafras e ele desfrutavam de igual condição: Paulo, Timóteo e Epafras eram servos de Cristo.

Os cristãos de Colossenses deveriam ter em Epafras um fiel ministro de Cristo.

Há uma diferença muito grande entre ser 'fiel em Cristo' e ser 'um fiel ministro de Cristo'. A condição de fiel somente é possível para o homem que esta em Cristo (Cl 1: 2). Com relação ao ministério, a fidelidade diz de uma qualidade própria de Epafras, ou seja, ele era fiel em Cristo, e desenvolvia o seu ministério com fidelidade.

Da mesma forma que Paulo desempenhou o seu ministério entre os gentios com empenho, Epafras também era fiel em seu ministério. A fidelidade a Deus é por meio da união com Cristo.

 

8 O qual nos declarou também o vosso amor no Espírito.

Paulo demonstra que tomou conhecimento do amor dos cristãos através do amado conservo Epafras.

O amor dos colossenses era no Espírito, ou seja, em Deus.

Para uma melhor compreensão das cartas paulinas é necessário observar o seguinte: o apóstolo Paulo agradece a Deus por aquilo que os cristãos já receberam, e quando ele ora pelos cristãos é solicitando a Deus por algo que eles ainda não haviam recebido.

Esta característica repete-se na carta aos Filipenses, Efésios, Tessalonicenses, etc:

“...não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações...” Ef 1: 16;

“Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós (...) E esta é a minha oração: que o vosso amor aumente...” Fl 1: 2- 11;

“Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações” I Ts 1: 2.

Quando Paulo agradece a Deus, geralmente agradece por elementos pertinentes à esperança proposta em Cristo, tais como: regeneração, justificação, santificação, eleição, predestinação, etc “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz...” Cl 1: 12.

Mas, quando Paulo ora pelos cristãos, é em razão de elementos que eles ainda não haviam alcançado. Observando esta e outras cartas, verifica-se que os pedidos de Paulo em oração a Deus geralmente refere-se a conhecimento Cl 1: 9; Ef 1: 17; Fl 1: 9.

 

Pedidos em Oração

9 Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual;

Epafras anunciou a Paulo e Timóteo o ‘amor no Espírito’ dos cristãos em Colossos Cl 1: 4, o que motivou Paulo a orar continuadamente em favor deles.

Paulo não cessou de orar a Deus desde que recebeu notícias acerca dos cristãos,o que demonstra a preocupação do apóstolo por causa do que ainda lhes faltava.

Na oração o apóstolo pede a Deus que eles fossem cheios do conhecimento da vontade divina em toda sabedoria e inteligência espiritual (v. 9).

Por que Paulo orou para que eles fossem cheios do conhecimento da vontade de Deus? Qual o objetivo de eles obterem este conhecimento? Por que a sabedoria e a inteligência devem ser espirituais?

Estar cheios do conhecimento da vontade de Deus daria as condições necessárias para que os cristãos pudessem: 

a)      andar dignamente diante do Senhor;

b)      agradar a Deus em tudo;

c)      para frutificarem em toda a boa obra, e;

d)      crescer no conhecimento de Deus.

 

Estes eram os objetivos pelos quais Paulo orava a Deus, e que os cristãos precisavam alcançar.

Só é possível conhecer a vontade de Deus se o homem tiver sabedoria e inteligência espiritual. Por que Paulo emprega o adjetivo 'espiritual' à sabedoria e a inteligência? Para diferenciar a sabedoria e a inteligência proveniente do evangelho do conhecimento e da sabedoria secular.

É possível verificar esta maneira de Paulo tratar das coisas concernente ao evangelho quando lemos I Co 2: 1- 16.

Paulo evangelizava certo de que estava anunciando poder de Deus para os que crerem, o que não era feito com base em conhecimento humano “...não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria (...) a minha palavra, e a minha pregação, não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana (...) Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens... ” I Co 2: 1- 5, mas com sabedoria e inteligência espirituais, segundo o que o Espírito Santo lhe ensinava I Co 2: 13.

Paulo classifica a inteligência e a sabedoria como sendo espirituais para diferenciar da sabedoria humana.

“... e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” Cl 3: 10; compare com:

“ ... que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” Cl 1: 9; compare com:

"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e prefeita vontade de Deus” Rm 12: 2.

Renovar, transformar, ser cheio do conhecimento refere-se aos mesmos elementos, visto que, o objetivo é vestir o novo homem do que lhe é pertinente. O novo homem precisa experimentar a boa, agradável e prefeita vontade de Deus, e que pode andar dignamente diante de Deus, agradando-lhe em tudo.

 

10 Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus;

Estes elementos são novamente apresentados em Cl 3: 8- 11, e melhor explicado.

Este versículo trata das questões comportamentais pertinentes aos novos cristãos. Os cristão foram criados em Cristo idôneos para participar da herança dos santos, porém, deveriam moldar o comportamento. Precisavam andar como filhos da Luz, uma vez que já eram filhos da Luz Ef 5: 8.

Desde que ouviu de Epafras que havia cristãos em colossos, Paulo passou a agradecer a Deus por eles também serem participantes da esperança reservada nos céus. Porém, o apóstolo passa a orar para que eles adquirissem uma nova maneira de viver, ou seja, que andassem dignamente diante do Senhor “Assim como bem sabeis de que modo vos exortamos e consolamos, a cada um de vós, como o pai a filhos; Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória” I Ts 2: 11- 12; Cl 1: 10; “Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo...” Fl 1: 27.

A preocupação de Paulo era para que eles agradassem a Deus em tudo, e que frutificassem em toda a boa obra. O escritor aos hebreus expõe esta mesma idéia em uma única frase: “Vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Jesus Cristo...” Hb 13: 21.

Através do conhecimento da vontade de Deus os cristãos andariam por modo digno do evangelho, agradando a Deus e frutificando em toda a boa obra Ef 2. 10, e cresceriam no conhecimento de Deus.

Observe que o crescimento do cristão ocorre no conhecimento, uma vez que já alcançou a maioridade em Cristo: já é participante da herança dos santos na luz. 

 

11 Corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo;

Para atingir o que foi exposto no versículo anterior, os cristãos deviam contar com 'toda a fortaleza' por parte de Deus. A fortaleza é segundo a força da glória de Deus. Somado à força divina, ele podiam contar com a paciência e longanimidade de Deus. Deus é longânimo e paciente com aqueles que foram recebidos por filhos.

O que lhes falta é chegar a perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.

Deus criou o homem com capacidade de aprender e compreender, e através destas faculdades Deus que lhes preencher do seu conhecimento. Sendo Deus paciente e longânime, o cristão deve andar dignamente perante Ele, pois tem toda a fortaleza segundo a força da sua glória.

Na carta aos cristãos em Éfeso, o apóstolo também faz referência ao poder de Deus: “E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder” Ef 1. 19.

 

Bendizendo por Bênçãos Eternas

12 Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz;

Paulo deixa de falar na primeira pessoa do singular “Graças damos (Paulo e Timóteo) a Deus...” Cl 1: 3- 11, e passa a falar na primeira pessoa do plural: “Dando graças ao pai que nos (Paulo e os cristãos) fez idôneos...” Cl 1: 12- 14.

Esta é uma das regras essenciais na interpretação de cartas: é preciso atenção para identificar quando o escritor da carta isola-se da ação que estava descrevendo.

Quando Paulo diz: “Damos graças a Deus”, ele esta demonstrando que ele e Timóteo agradeciam a Deus, e nesta ação os cristãos não estão inclusos. Nesta carta, o apóstolo apresenta as suas ações e a de Timóteo do verso três ao onze.

Do versículo doze em diante, Paulo passa a descrever a ação de Deus que contemplo a todos os cristãos. Paulo inclui na narrativa os cristãos, Timóteo e ele mesmo Cl 1: 12- 14. Paulo demonstra o que Deus concedeu a ele e a todos os irmãos em Cristo.

Deus fez os cristãos idôneos, ou seja, Deus já os criou com capacidade plena para serem participantes da herança dos santos. Quando os cristãos creram na mensagem do evangelho, eles receberam poder para serem feitos filhos de Deus Jo 1: 12, e quando foram criados, foram criados em verdadeira justiça e santidade Ef 4: 24. Desta maneira Deus fez (criou) um novo homem (os cristãos) em Cristo.

As novas criaturas (os cristãos) vieram à existência com direito pleno à herança guardada nos céus, não necessitando estar debaixo de tutores ou curadores como era próprio a lei Gl 4: 1-2.

Participar da herança dos santos na luz, é uma das maneira de se falar em Deus. Como filhos da Luz, os cristãos passaram a ser herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo Ef 5: 8. Sendo filhos de Deus, os cristãos passaram a ter herança em Deus, ou seja, na Luz.

A condição de 'santos' decorre da nova natureza adquirida na regeneração. Os cristãos, por crerem em Cristo, receberam poder de Deus para serem feitos filhos, nascidos de semente incorruptível. Por serem novas criaturas em Cristo e participantes da natureza divina II Pe 1: 4, pois receberam a plenitude em Cristo Cl 2: 10, são os eleitos de Deus: santos e irrepreensíveis.

 

13 O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor;

Deus tirou Paulo, Timóteo e todos os cristãos, ou seja, o próprio Deus resgatou todos os que creram do domínio das trevas e transportou-os para o reino de seu Filho. Paulo designa Jesus como Filho do seu 'amor'.

O que ocorreu com os cristãos também ocorreu com o apóstolo: todos foram resgatados do poder das trevas e transportados para o reino de Cristo. A única diferença entre Paulo e os cristãos esta no serviço que ele desempenhava: ministério apostólico Cl 1: 25.

Este ministério difere da idéia de 'ministério apostólico' que hoje em dia tem se divulgado e que muitos tem se auto comissionando e intitulando.

 

14 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados;

Através do 'Filho do amor de Deus' é que os cristãos obtiveram a redenção por meio do seu sangue.

Paulo acrescenta uma explicação, demonstrando que a obra da redenção é completa: os cristãos foram comprados por um alto preço, e postos em liberdade.

Em cartas direcionadas as igrejas que Paulo visitou não encontramos ressalvas conforme as apresentadas nesta carta. Nesta carta Paulo apresenta duas ressalvas explicativas sobre a idéia apresentada. Com relação a linguagem empregada, podemos dizer que a necessidade de ressalvas é quase dispensável, mesmo quando o evangelho foi anunciado por outra pessoa (Epafras), como é o caso da igreja de colossos.

Por que se fez necessário Paulo dizer que a redenção pelo sangue de Cristo é remissão dos pecados? Porque ele fez referência a atos que a lei mosaica regulava. Esta 'transação' refere-se à retomada do direito de posse de bens perdidos pelas famílias hebraicas.

A redenção é ato de parente capaz, que efetuaria tudo o que fosse exigido pelo credor. A redenção do parente era de pessoas e herança, ou fazer as vezes de marido quando um parente morresse sem deixar descendente Lv 25: 25- 49 Rt 3: 12- 13.

Quando o cristão crê em Cristo, e passa a ser participante da carne e do sangue de Cristo, torna-se um dos descendentes de Abraão por intermédio do corpo de Cristo, e ao mesmo tempo adquire a filiação divina, sendo um dos filhos de Abraão por intermédio da fé.

Aquilo que alguns dos judeus disseram a Cristo, somente os cristãos podem dizer: "Somos descendentes de Abraão, e jamais fomos escravos de ninguém" Jo 8: 31. Através do Descendente, que é Cristo, os homens que crêem passam à condição de descendentes do pai Abraão, pois tornaram-se participante da carne e do sangue do Descendente.

De igual modo, por meio da fé, o crente adquire a filiação divina ao ressurgir com Cristo dentre os mortos, tornando-se filhos de Abraão (filhos de Deus). O novo homem criado em Cristo, este sim, nunca foi escravo de ninguém. São de fato filhos de Deus!

Quando Paulo faz referência à redenção, não o faz em relação a bens materiais, mas a bens futuros, demonstrando que os cristãos foram adquiridos e libertos do poder do pecado.

 

15 O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

O contexto da carta muda deste versículo até o versículo vinte.

O apóstolo introduz nestes seis versículo um aposto explicativo semelhante ao da carta aos Hebreus, demonstrando quem é o Filho do amor de Deus - Jesus.

  • Jesus é a imagem do Deus invisível – O Deus que habita em luz inacessível aos olhos dos homens revelou-se através da pessoa de seu Filho. Sobre esta verdade o apóstolo João testemunhou: “E o verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” Jo 1: 14; II Co 4: 3- 4; Hb 1: 3;
  • Jesus, o primogênito de toda a criação – Para entender este versículo, deve-se verificar o que Paulo diz acerca de Adão, o primeiro homem: “...Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” Rm 5: 14. Através deste versículo, somos informados que Cristo é 'aquele que havia de vir', e que Adão foi criado segundo a imagem de Cristo. Antes mesmo de haver mundo, Cristo é o cordeiro de Deus! Desta forma, segue-se que: “O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o ultimo Adão em Espírito vivificante” I Co 15: 45. “O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu” I Co 15: 47. Sendo que, se Adão era a imagem de Cristo (daquele que havia de vir), conclui-se que Cristo é o primogênito de toda a criação.

Cristo é o primeiro gerado (primogênito) de toda a criação de Deus. Todos os outros seres do universo (anjos, arcanjos, querubins, serafins, homens, etc) foram criados por Deus. Cristo difere de todas as criaturas por ser o primeiro gerado de Deus.

Enquanto Adão foi criado alma vivente, Jesus foi gerado espírito vivificante "Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu" I Co 15: 45- 47.

Alguns questionam  a passagem de Gênesis, onde está registrado que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, e alegam que, sendo Deus Espírito, qual a imagem de Deus que foi concedida a Adão?. A resposta torna-se evidente por meio da leitura deste versículo: Adão foi criado a imagem do Cristo de Deus Rm 5: 14.

 

16 Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.

Em Cristo, o Senhor, foram criadas todas as coisas que há no céu e na terra. Desde tronos, dominações, principados, potestades, as coisas visíveis e as invisíveis I Co 15: 47.

O Salmo 102: 25- 27 fazem referência a Cristo, o criador de todas as coisas Hb 1: 10- 11.

17 E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.

Paulo faz referência à divindade de Cristo da mesma forma que o escritor aos Hebreus: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder...”
Hb 1: 3.

Atualizado em ( 01-Nov-2008 )
 
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