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Ondas Impetuosas de Sujidade PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Administrator   
23-Apr-2008
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Para ser Espiritual é preciso tão somente cumprir com o mandamento de Deus, que é: "...que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou" (I João 2:3: 23). Basta crer em Cristo conforme diz as Escrituras, que o homem é gerado de novo, deixa de ser carnal pois o velho homem é crucificado com Cristo (sensual) e passa a ser Espiritual por ressurgir com Cristo.

E, contudo, também estes, semelhantemente adormecidos, contaminam a sua carne, e rejeitam a dominação, e vituperam as dignidades. Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem. Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré. Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas;

Judas passa a descrever os homens ímpios que haviam se infiltrado entre os cristãos dissimuladamente.

Eles queriam se firmar entre os cristãos como mestres. Eram sonhadores, porém, tudo que viam em sonhos não passava de alucinações. Voltaram a condição de carnais, destituídos do Espírito de Deus.

Como resultado das suas pretensões, rejeitavam toda autoridade e blasfemavam das dignidades.

Acerca deste impuros, bem falou o apóstolo Paulo a Timóteo: "Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão" (Colossenses 2: 18).

Os falsos mestre queriam a posição de mestres para poderem dominar os cristãos. Através do pretexto de humildade e reverência ao que diziam ser sagrado, anunciavam ter sonhos e visões, porém, tudo era fruto de uma carnal compreensão.

Judas demonstra que os falsos mestres não observam o que preceitua a Escritura, quando ela demonstra que o arcanjo Miguel não ousou pronunciar juízo de maldições contra o diabo Zc 3: 2.

Embora tenhamos uma alusão ao nome do arcanjo Miguel em uma suposta disputa pelo corpo de Moisés proveniente de uma antiga tradição judaica, podemos compará-la com o texto de Zacarias, onde temos: "Mas o SENHOR disse a Satanás: O SENHOR te repreenda, ó Satanás, sim, o SENHOR, que escolheu Jerusalém, te repreenda; não é este um tição tirado do fogo?" (Zacarias 3: 2).

Talvez Judas tenha se equivocado ao citar a tradição judaica, sendo que o texto base que queria citar fosse o de Zacarias. Ou, de igual modo, alguém que tenha copilado a carta, tenha substituído o texto de Zacarias pelo texto da tradição judaica.

Porém, a idéia que o texto procurou transmitir foi preservada, mesmo com a alusão a tradição judaica, visto que, o Senhor não proferiu juízo infamatório contra Satanás, quando este se opunha acerca do Sumo Sacerdote Josué, antes disse: "O Senhor te repreenda, ó Satanás, sim, o Senhor que escolheu Jerusalém..." Zc 3: 2.

Devemos ter em mente que Miguel é um dos anjos de Deus, porém, não podemos confundi-lo com o Anjo do Senhor que é Cristo "O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra" (Salmos 34: 7). Diferente de Miguel, o Anjo do Senhor é onipresente (acampa-se ao redor de todos que o temem, e deve ser temido (o temem). É de Cristo que Paulo disse: "Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo" (Atos 27: 23).

Os pretensos mestres não consideravam nem mesmo o exemplo do Senhor quando Satanás se opunha a Ele acerca de Josué. Eles difamavam o que não entendiam por se arrogarem mestres. Até mesmo o que é possível compreender naturalmente pervertem.

O escritor declina três 'ais' sobre os seguidores do anticristo.

Através das heresias que estavam introduzindo dissimuladamente, os falsos mestres estavam percorrendo o caminho de Caim, que matou o seu irmão. Através das heresias procuravam matar os que alcançaram vida em Cristo.

A ganância cegou-lhes o entendimento, e seguiram o mesmo erro de Balaão. Em busca de recompensas materiais, resolveram transtornar a verdade do evangelho.

Ao falarem contra as autoridades superiores, agiram da mesma forma que Coré, atitude que os condenou a perecer conforme os revoltosos que se levantaram contra Moisés.

Embora estes homens estivessem se reunindo com os cristãos, na verdade eram pastores de si mesmos. São os mesmos que tem o ventre na conta de seu deus "Cujo fim é a perdição; cujo deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas" (Filipenses 3: 19).

Judas demonstra que tais homens banqueteavam-se nas festas fraternas dos cristãos, porém, sem recato algum. Nada deve se esperar deles.

Alguns teólogos classificam estes homens que Judas fez referência como sendo apóstatas gnosticistas denominados antinominianos ou libertinos.

É de consenso comum que a legalidade promovida pelos judaizantes é contrária a graça de Deus. Porém, também é temerário dizer conforme J. I. Packer:  "Essa é a resposta final ao antinomianismo: a graça estabelece a lei" Vocábulos de Deus, Packer, J. I, Editora Fiel.

No afã de combater os heréticos que acham por bem cometerem toda sorte de torpeza, não podemos nos socorrer da lei Mosaica como se ela complementasse a graça de Cristo, ou que a graça a estabelece.

É de conhecimento que Paulo apregoava a moderação em tudo, sem fazer qualquer referência a lei Mosaica como parâmetro de conduta. Para saber qual a relação entre graça e lei, leia os artigos: Vinho Novo, Lei e Graça e O Evangelho Anunciado.

 

Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas. E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele. Estes são murmuradores, queixosos da sua sorte, andando segundo as suas concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes, admirando as pessoas por causa do interesse.

Judas compara os homens que se introduziram entre os cristãos com as ondas do mar. Da mesma forma que as ondas do mar quando em fúria, eles são agitados, tornando evidente a sujidade que contém.

O apóstolo Tiago compara os duvidosos com a onda do mar que é impelida e agitada pelo vento Tg 1: 6. Paulo falou do mesmo assunto: "Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente" (Efésios 4: 14).

A astucia e o engano proveniente da doutrina errônea dos fraudadores da palavra é comparado com o vento, revelando inconstância e sujidade.

Eles são comparados a estrelas errantes, ou seja, embora percorram um caminho, eternamente permanecem nas trevas. Assim são os homens sem Deus, percorrem caminhos que aos seus olhos parecem conduzir a Deus, porém, ainda permanecem no caminho largo que conduz a perdição.

Por não nascerem de novo, seguem caminhos variados, porém, por serem descendentes de Adão, o caminho largo, todos os caminhos que seguem são contemplados pela perdição. Continuam errantes, pois está reservado para eles a perdição eterna decorrente da natureza pecaminosa herdada em Adão.

Judas lembra que, acerca dos homens ímpios, profetizou Enoque, o sétimo após Adão "E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou" (Gênesis 5: 24). No Canon sagrado não encontramos qualquer referência a esta profecia de Enoque. Porém, não podemos inferir que o Espírito de Deus não tenha inspirado o teor desta carta a Judas.

Como é sabido, tal profecia aparece inclusa em um livro, que foi localizado em uma bíblia Etíope, por volta de 1773, chamado de 'Livro de Enoque'. Há na literatura do segundo século a. D referência ao livro de Enoque, porém, tal livro perdeu-se no decurso do tempo, sobrando pequenos fragmentos.

Não é alvo deste estudo tentar descobrir a origem desta citação de Judas, porém, podemos analisá-la através de outros textos bíblicos verificando a sua veracidade.

Sobre Enoque, o escritor aos Hebreus nos disse: "Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus" (Hebreus 11: 5).

Perceba que o escritor da carta aos Hebreus infere do texto do Gênesis que Enoque andou com Deus através da fé, pois só pela fé é possível 'andar' com Deus. De igual modo, ele foi tirado da terra dos viventes, e não foi mais localizado, por ação exclusiva de Deus. O testemunho das escrituras de que Enoque andou com Deus é um testemunho do próprio Deus de que Enoque O agradara.

Primeiro a Escritura diz que Enoque andou com Deus "Andou Enoque com Deus..." (Gênesis 5: 22), para depois Enoque ser tomado: "...e já não era, porque Deus para si o tomou" (Gênesis 5: 24). Ou seja, isto demonstra que Enoque agradou a Deus.

Através da revelação do Novo Testamento, sabemos que o homem tornou-se desagradável a Deus por causa da queda de Adão, ou seja, todos os homens gerados de Adão são filhos da desobediência e da ira. Porém, aqueles que crêem em Deus são de novo gerados segundo a sua palavra, tornando-se agradáveis.

A profecia de Enoque é uma exortação: "Vede...". Ora, os seus ouvintes deveriam manter-se alerta, pois o Senhor estava por vir juntamente com os seus milhares anjos. A bíblia é um compêndio de livros que enfatizam a vinda de Deus acompanhado de seus anjos, e a necessidade do homem aguardar a sua vinda "Então virá o Senhor meu Deus e todos os santos com Ele" (Zacarias 14: 5b).

A profecia de Enoque aponta o motivo da vinda do Senhor: "... para fazer juízo contra todos, e para fazer convictos todos os ímpios..." (Judas 15). Do mesmo modo disse o Senhor ao povo de Israel: "Se eu afiar a minha espada reluzente, e se a minha mão travar o juízo, retribuirei a vingança sobre os meus adversários, e recompensarei aos que me odeiam" (Deuteronômio 32: 41).

O apóstolo Paulo enfatiza: "Deus recompensará a cada um segundo as suas obras" (Romanos 2: 6). Ora, sabemos que toda a humanidade foi julgada e condenada em Adão, mas os ímpios pecadores não sabem desta verdade. Porém, no dia da ira de Deus, ele tornará manifesto o seu juízo. Dará vida eterna aos que procuraram honra e glória e perseveraram fazendo o bem. Mas, trará indignação e ira aos desobedientes à verdade, e  que obraram o mal Rm 2: 7-10.

Ao retribuir a cada um segundo as suas obras, Deus fará juízo Ap 20: 12, e conhecerão (convictos) que estavam condenados segundo a condenação de Adão Rm 5: 18.

Perceba que a profecia de Enoque não destoa do restante das Escrituras, sendo assente que é uma profecia verdadeira. A citação de Judas não contradiz as Escrituras.

 

Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais vos diziam que nos últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências. Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito. Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo,

Judas reforça o seu posicionamento de servo de Cristo (Judas 1), quando aponta a necessidade de terem na lembrança as predições dos apóstolos.

Através deste posicionamento Judas demonstrou que as palavras anunciadas pelos apóstolos são equivalentes ao anunciado pelos profetas do Antigo Testamento.

Observe que ele apresentou vários personagens do Antigo Testamento para dar peso aos seus argumentos, e por fim, demonstrou que as suas palavras não destoam dos apóstolos.

Ora, mesmo sendo irmão de Jesus na carne, irmão de Tiago, ele não se arrogou no direito de se auto intitular apóstolo, ou utilizar de uma autoridade que não possuía.

Em nossos dias há inúmeros lideres que se auto intitulam apóstolos, e não consideram o exemplo de Judas. Se considerassem o exemplo de Judas e o de Paulo, jamais utilizariam este título que inspira autoridade "Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus" (I Coríntios 15: 9).

Ao fazer referência as palavras dos apóstolos, Judas não as cita 'ips literis', e nem atribui a idéia a algum apóstolo específico. Isto demonstra que as palavras preditas pelos apóstolos eram de consenso comum, e que não consideravam um apóstolo superior aos outros.

O alerta é específico: "No último tempo haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias concupiscências" (Judas 18). Tal alerta foi feito por Pedro: "Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências" (II Pedro 3: 3).

Os escarnecedores promovem divisões entre os cristãos. O que se observa é que, quem não compreende (discernir) o que é o corpo do Senhor (união de servos, livres, judeus, gregos, pobres, ricos), acaba promovendo divisão como a que Paulo teve que abordar com a igreja de Coríntios (I Coríntios 6: 1- 8 e 11: 18).

As pessoas que causam divisões são carnais, ou seja, não tem o Espírito. Somente aqueles que tem o Espírito de Deus são espirituais. Ou seja, para ter o Espírito de Deus é preciso ser nascido dele (João 3: 6), pois ele habita somente o novo homem criado em Cristo, em verdadeira justiça e santidade (Efésios 2: 21; 4: 24; I Pedro 2: 5).

Para ser Espiritual é preciso tão somente cumprir com o mandamento de Deus, que é: "...que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou" (I João 2:3: 23). Basta crer em Cristo conforme diz as Escrituras, que o homem é gerado de novo, deixa de ser carnal pois o velho homem é crucificado com Cristo (sensual) e passa a ser Espiritual por ressurgir com Cristo.

Judas encera a exortação acerca da necessidade de se batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos, e passa a falar da fé que lhes é comum, o que inicialmente ele queria fazer diligentemente "Amados, enquanto eu empregava toda diligência para vos escrever acerca da salvação que nos é comum..." (Judas 3).

Os homens ímpios que foram descritos até aqui, todos são carnais: destituídos de Deus.

Diferentemente dos homens ímpios que convertem em dissolução a graça de Deus, os cristãos precisam crescer no conhecimento da graça de Deus contida no evangelho. Enquanto os ímpios transtornam o evangelho, os cristãos deve se inteirar para defendê-lo.

Atualizado em ( 01-Nov-2008 )
 
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