Antigo Testamento
Cumprimento da Promessa | Cumprimento da Promessa |
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| Escrito por Administrator | |
| 23-Apr-2008 | |
![]() A promessa é por graça, pois Abraão não realizou obra alguma que merecesse a justiça divina, mas ao crer que Deus poderia realizar tudo o que prometerá, foi justificado! Observe que Deus pode realizar muito mais do que aquilo que pensamos ou pedimos Ef 3. 20. Deus cumpriu a sua promessa e Isaque nasceu. Mas, Sara viu o filho da escrava zombando de seu filho e mandou Abraão despedir a escrava com o seu filho; Abraão ficou ressabiado, pois Ismael, segundo a sua concepção, era o seu primogênito. Deus disse a Abraão: “Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência” Gn 21. 12.A promessa de Deus não se refere à descendência carnal de Abraão, como foi o caso de Ismael e os filhos das concubinas de Abraão Gn 25. 5- 6. A promessa se concretizou na descendência proveniente da própria promessa - Isaque. A promessa de Deus diz respeito a Isaque, e não a Ismael. Os filhos de Abraão e de Isaque haveriam de herdar a terra porque Deus prometeu. Haveria de adquiri-la por meio da fé? Não! Eles tinham direito a terra prometida, pois Deus a concedeu a descendência de Abraão por promessa. Mas, e quanto à salvação? Eles haveriam de adquirir a salvação pelo simples fato de serem descendência e herdeiros de Abraão “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos...” Rm 9. 7. Herdar a terra prometida é o mesmo que alcançar a salvação de Deus? Não! A promessa de salvação feita por Deus refere-se aos que crêem no descendente de Abraão, que é Cristo “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” Gl 3. 16. Paulo complementa: “Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” Rm 9. 8. Para ser filho da promessa o homem precisa crer na providência divina, e então será justificado como foi o patriarca Abraão Jo 1. 11- 12. Deus havia prometido a Abraão que em Isaque seria chamada a sua descendência Gn 21. 12. Quando a Abraão e Sara parecia impossível terem um filho, nasceu Isaque. De Isaque nasceram Esaú e Jacó, ambos herdeiros. Observe que tanto Esaú quanto Jacó tinham plenos direitos de herdarem de Isaque. Ao fazer referência ao termo ‘herdar’, estamos fazendo referencia a um direito terreno. Já a promessa faz referencia a bens eternos.
A Promessa Da promessa sabemos que ela refere-se ao DESCENDENTE, que é Cristo, pois nele são benditas todas as famílias da terra.
Observe que a promessa foi feita a Abraão e a sua descendência, que é Cristo; desta promessa fundamenta-se o evangelho, pois a Abraão foi anunciado o evangelho primeiramente Gl 3. 8. O fato de em Abraão serem benditas todas as famílias da terra nos dá parâmetros para entendermos a base do evangelho. Abraão creu em Deus, e isto lhe foi imputado como justiça. Conclui-se que, como Deus não faz acepção de pessoas, aqueles que crerem na justiça de Deus (providenciada e demonstrada aos homens), serão justificados como o crente Abraão Gl 3. 6- 9. A promessa é por graça, pois Abraão não realizou obra alguma que merecesse a justiça divina, mas ao crer que Deus poderia realizar tudo o que prometerá, foi justificado! Observe que Deus pode realizar muito mais do que aquilo que pensamos ou pedimos Ef 3. 20. Abraão pensava em sua descendência quando recebeu a justiça de Deus. Segue-se que a promessa diz respeito àqueles que são da fé, ou seja, daqueles que são filhos de Deus; daqueles que tem a mesma fé que teve Abraão. Por outro lado, tanto Esaú quanto Jacó eram filhos de Abraão segundo a carne, e se a promessa fosse por descendência, ambos deveriam ser filhos da promessa. Mas não é assim a promessa Rm 9. 8.
Herdeiros Com relação a herdar de Isaque, Esaú e Jacó tinham direito. Com relação à promessa ambos precisavam crer para alcançá-la, mas com relação à herança, ambos tinham direito. Com relação ao direito a herança de Abraão, nem o jovem Damasceno, nem Ismael puderam herdar Gn 15. 2- 3 e 21. 10. Observe que aos filhos das concubinas Abraão deu presente, mas a Isaque, Abraão deu tudo que possuía Gn 25. 4- 5. Abraão queria de várias formas constituir um herdeiro para si, mas Deus lhe prometeu que teria um filho de Sara sua mulher Gn 17. 19. Nasceu Isaque que tornou-se herdeiro de Abraão, e nele também foi chamada a descendência de Abraão conforme a promessa. Como Isaque era único não houve qualquer discórdia acerca das questões em torno da primogenitura. Com Esaú e Jacó tal discussão é diferente. Esaú, Jacó e Isaque eram filhos de Abraão; Esaú, Jacó e Isaque eram herdeiros de Abraão; Isaque era descendente segundo a promessa, mas de Esaú e Jacó não podemos dizer o mesmo. Da mesma maneira que Esaú e Jacó nasceram de uma estéril, o que demonstra um milagre de Deus, Isaque também nasceu. Mas ter direito a herança e nascer de uma concepção milagrosa não faz de ninguém filho da promessa. Porém, há um elemento diferenciador: enquanto Isaque era filho único, Esaú e Jacó eram gêmeos. Deste fato surge o direito decorrente da primogenitura.
A Primogenitura Sobre a primogenitura a lei de Moisés diz o seguinte:
Segue-se que o direito de primogenitura já existia antes mesmo da lei; mas, a lei além de instituí-la, dá os parâmetros para executar a partilha da herança. Em primeiro lugar precisa-se observar que, para existir o direito de primogenitura, há a necessidade de se ter filhos “...fizer herdar a seus filhos...”. Isto porque não há como se preitear o direito de primogenitura quando se é filho único, e este foi o caso de Isaque. O primogênito é o filho da primeira gestação, e tal direito não havia como ser passado do irmão mais velho ao mais novo. Era um direito decorrente do nascimento. Agora pergunto: Como Jacó conseguiu aprovação de Deus ao adquirir o direito de primogenitura de Esaú? Observe que Esaú e Jacó não eram frutos de gestações diferentes. Eles nasceram quase que simultaneamente, e de um único parto. Não houve interrupção no parto de Esaú e Jacó. Jacó nasceu ligado ao calcanhar de Esaú, o que sinaliza que não houve interrupção no parto. Isto demonstra que ambos tinham direitos à primogenitura. Segue-se que se Jacó tivesse nascido de uma segunda gravidez seria impossível ele adquirir o direito de primogenitura. Mas, como Esaú e Jacó eram provenientes de uma mesma gestação, e nasceram na seqüência, neste caso em específico foi possível a Jacó comprar o direito de primogenitura.
A linguagem Outro fator importante a se observar quando se interpreta um texto está na linguagem utilizada pelo escritor. Observe: “...não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada, que é o primogênito” Dt 21. 16.
Filho da amada refere-se aquele que o pai tem preferência; já o filho da desprezada refere-se àquele que tem o direito a primogenitura, mas que não tem a preferência do pai. Desta maneira podemos concluir que o amor do homem é tendencioso. Um exemplo claro de amor tendencioso é o de Isaque: “E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó” Gn 25. 28. O amor do homem é sentimental. Basta que algo lhe agrade que estará favorecendo o seu semelhante. O homem no trato com os seus semelhantes geralmente tem preferência entre um e outro. Esta passagem de Deuteronômio bem representa a maneira que o homem prefere um em detrimento de outro. Por gostar mais de uma de suas mulheres, o homem quando da partilha dos bens, acabava por favorecer o filho da mulher que ele mais amava. Desta maneira Deus instrui o povo: Não darás a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada. O que Deus demonstra? Que era vetado favorecer um filho em detrimento do outro. Deus ensina por meio da lei que é vetado negar o que é de direito a um filho. E quanto ao que ocorreu com Isaque e Esaú? Deus favoreceu a Jacó? Da relação fraterna entre Esaú e Jacó destacamos os elementos enumerados anteriormente. Todos os elementos são implícitos da relação estabelecida: “Não era Esaú irmão de Jacó?”. Há uma linguagem própria ao tema; há um direito que não pode ser negado; ambos eram herdeiros e nasceram de uma única gravidez, etc. Todas as considerações em torno dos irmãos Esaú e Jacó nos leva a entender o amor de Deus, tanto para com Israel, como para a humanidade. “Contudo, amei a Jacó...” Quando Deus pergunta ao povo: “Não era Esaú irmão de Jacó?” é porque a resposta do povo serve de sustentação a argumentação seguinte. A pergunta nos remete a um ‘sim’ como resposta. É necessário que consideremos a história que permeia a vida destes dois personagens, pois a pergunta divina nos remete a relação fraternal de Esaú e Jacó. Eles não eram irmãos? Ou seja, eles não nasceram de Isaque? Ambos não eram filhos de Abraão? Eles não eram gêmeos? A resposta é sim! Esaú e Jacó eram irmãos. Através deste argumento Deus prova que sempre amou o povo de Israel. Como? Através dos cinco elementos anteriores podemos compreender de que maneira Deus amou a Jacó. “Todavia amei a Jacó...”. Jacó tornou-se alvo do amor de Deus, apesar de Esaú e Jacó serem irmãos. Como? Como Deus amou a Jacó?
Passemos a resposta: Isaque, que tinha gosto por caça, amava a Esaú, pois ele era homem do campo e um perito caçador. O gosto de Isaque e a qualidade de caçador de Esaú são fatores que combinados influenciaram o amor do patriarca.
Isaque amava a Esaú. Observe que o amor de Isaque tinha em preferência Esaú; observamos um amor tendencioso. Esaú era caçador e Jacó um homem sossegado que habitava em tendas. Segundo a visão e o sentimento de Isaque, Jacó não tinha as mesmas afinidades, o que o levou a preferir Esaú. A bíblia registra várias vezes declarações de amor de Deus para com o seu povo Israel. Observe:
Ao ler os versículos acima, verifica-se que o amor de Deus para com o povo de Israel não é igual ao amor de Isaque para com os seus filhos. O amor de Isaque era segundo o gosto que ele tinha pela caça; já o amor de Deus é segundo a sua vontade. Isaque amava a Esaú por causa da qualidade de caçador; Israel não tinha nenhuma qualidade, no entanto Deus ama a Israel Dt 9. 6. Observe que a declaração de Deus a Israel vem atrelada ao amor para com os patriarcas e com a promessa que a eles foi realizada. Deus amou aos pais e escolheu a descendência dos patriarcas Dt 4. 37. Não foram as qualidades do povo que fez surgir o amor de Deus, antes o amor de Deus para com os patriarcas é quem deu origem ao povo de Israel. Segue-se que Deus teve prazer em Israel e os escolheu porque os amava e para guardar a aliança feita com os pais Dt 7. 7- 8. Deus reitera o seu amor para com Israel dizendo: “Tão somente o Senhor se agradou de teus pais para os amar”; O fato de Deus se agradar dos patriarcas é que deu causa ao amor de Deus. Como? Retornemos ao fato de Deus chamar o patriarca Abraão. Deus falou a Abraão: “Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” Gn 12. 1- 3. A proposta de bênção a Abraão partiu de Deus, ou seja, Deus se agradou de Abraão. Como Abraão correspondeu à proposta divina saindo da sua parentela, Deus passou a cumprir a sua proposta, o que demonstra o amor de Deus. “O amor de Deus é demonstrado em santidade, retidão e justiça” O amor do homem é demonstrado em favoritismo pessoal. Já o amor de Deus é demonstrado em justiça. Como pode ser isso? “Não era Esaú irmão de Jacó? disse o SENHOR; todavia amei a Jacó ...” Esaú e Jacó eram irmãos, mas apesar da relação fraternal entre os gêmeos, Deus amou a Esaú. De que maneira Deus amou a Jacó? Deus favoreceu Jacó em detrimento de Esaú? Isto seria amor? Não haveria acepção? É isto que a relação fraternal evidenciada demonstra:
Quem era Jacó? A bíblia descreve Jacó como sendo um homem de personalidade sossegada. O estilo de vida de Jacó era o de habitar em tendas. A bíblia também descreve o nascimento de Jacó: um milagre! Raquel era estéril, mas concebeu após Isaque ter orado insistentemente ao Senhor. Raquel concebeu gêmeos e durante o parto Jacó saiu grudado ao calcanhar de seu irmão Gn 25. 26. Jacó durante a sua mocidade se mostrou oportunista comprando o direito de primogenitura do seu irmão Gn 25. 29- 34. Quando Isaque procurou abençoar os seus filhos, Jacó foi sutil e recebeu a bênção que antes pertencia a seu irmão Gn 27. 35. Diante da história de Jacó, pode-se afirmar que Deus só amou Jacó? Não! Por quê? Porque Deus é santo e não faz acepção de pessoas! Deus amou e ama a todos os homens de igual modo. Tanto Esaú quanto Jacó foram alvos do amor de Deus. Mas, por que a bíblia diz que ‘Deus amou a Jacó’, se ele ama a todos? Por que Deus não perverte o direito, e um exemplo claro é a declaração: Deus não aceita suborno. Jacó adquiriu legalmente o direito de primogenitura, e em decorrência do direito adquirido, Jacó foi ‘amado’ do Senhor. Ou seja, Deus concedeu a Jacó o que lhe era de direito. Responda as perguntas seguintes acerca da declaração de Deus:
No caso de Esaú e Jacó não entra em voga questões pessoais como qualidades, moral, comportamento e vontade, antes o fator em evidência é o direito adquirido. O amor de Deus foi revelado quando foi concedido a Jacó o que lhe era de direito. Neste ponto entram em questão os cinco elementos enumerados no início da análise:
A linguagem utilizada por Malaquias para anunciar o sentimento divino é totalmente pertinente a linguagem bíblica. Quando o profeta Malaquias transmite ao povo a seguinte mensagem: “Todavia amei a Jacó...”, a declaração é realizada em uma linguagem própria a idéia que se procurou transmitir. A bíblia registra que Isaque amou a Esaú, mas de que forma? Com base em preferências pessoais! A bíblia registra que Isaque amava a Esaú pelo simples fato dele gostar de caça “E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó” Gn 25. 28. Se dependesse de Isaque a bênção decorrente do direito de primogenitura seria dada a Esaú Gn 27. 1- 4. Note que antes de abençoar a Esaú, Isaque queria satisfazer uma necessidade pessoal. Seguindo o mesmo estilo de linguagem, a lei mosaica demonstra que o amor do homem não deve ser de acordo com uma preferência pessoal “Será que, no dia em que fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada, que é o primogênito” Dt 21. 16. A linguagem utilizada pelos dois versículos com relação ao amor aponta para preferência pessoal. Desta maneira a palavra ‘amor’ tem no seu bojo a idéia de gosto e preferência. Observe que a expressão ‘filho da amada’ refere-se aquele filho que o pai tem preferência em decorrência de algum gosto em especial. Como a bíblia registra que em momento algum se deve favorecer alguém que não tenha o direito, a análise da declaração: ‘Todavia amei a Jacó’, deve demonstrar que em Deus não há qualquer tipo de favoritismo pessoal. Em momento algum Deus teve preferência ou favoreceu Jacó em detrimento de Esaú. Deus amou a Jacó, ou seja, a linguagem utilizada e analisada dentro do contexto, que demonstra que Deus concedeu o que era de direito a Jacó. Homem decide-se com base em gostos pessoais, e Deus se compraz naquilo que é justo e reto. A ‘preferência’ de Deus é a justiça. A relação fraternal entre Esaú e Jacó foi utilizada para retratar de que forma está estabelecido o amor de Deus para com o povo de Israel. Lembre-se que a mensagem divina é para o povo de Israel: “Eu vos tenho amado, diz o SENHOR. Mas vós dizeis: Em que nos tem amado?”. Ou seja, por meio da mensagem entregue por Malaquias Deus procurou demonstrar ao povo de Israel que eles estavam sob o cuidado divino devido a promessa feita aos pais “Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais” Dt 7. 7- 8. A mensagem é simples: Deus faz o que é justo ao preservar o povo de Israel (este é o amor de Deus), isto porque de maneira alguma Ele voltará atrás no juramento que fez aos pais. Ao ler a história de Israel, muitos reputam que Deus sempre favoreceu o povo de Israel em detrimento dos outros povos. Mas assim não é! Por quê? A resposta é simples: Deus não faz acepção de pessoas; Deus não aceita suborno e Ele é Santo. Deus havia prometido aos pais, que de Israel faria uma grande nação, e por intermédio do cumprimento desta promessa que se revela o cuidado e o amor de Deus para com Israel. Após a conscientização de que o contato com a linguagem utilizada por Malaquias também pode transmitir ou enfatizar uma idéia, passemos ao próximo ponto.
Para prosseguirmos em nosso estudo precisaremos observar o alerta de Paulo aos cristãos da igreja em Corintios. O objetivo do apóstolo Paulo é alertar os cristãos, mas deste alerta nos cabe uma grande lição. O apóstolo demonstra que todos aqueles que saíram do Egito passaram pelas mesmas experiências. Todos foram batizados na nuvem e no mar; todos comeram da mesma comida; todos beberam da mesma bebida, mas Deus não se agradou da maioria deles. Por quê? Por que todos os homens que saíram do Egito, exceto dois, não puderam adentrar a terra prometida? Todos não beberam da mesma água e não comeram da mesma comida? Nm 14. 30. O que ocorreu com o povo de Israel serve de alerta para as nossas vidas, ou seja, ‘estas coisas foram-nos feitas em figuras’ e estão escritas para aviso, para que não venhamos a incorrer em erros I Co 10. 1- 6. E quanto ao povo de Israel, o povo que nos serve de figuras? Todos os elementos que estão presentes na história dos patriarcas e de Israel nos transmitem mensagens por figuras. O fato de Israel ter estado debaixo da nuvem e ter passado pelo mar demonstram que todos foram batizados em Moisés I Co 10. 1; o fato de todos comerem da mesma comida e beberam da mesma bebida representa que todos se tornaram participantes de Cristo I Co 10. 4. Moisés ao construir o tabernáculo no deserto seguiu um modelo, figura do verdadeiro tabernáculo que estava nos céus “Estava entre nossos pais no deserto o tabernáculo do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto” Atos 7. 44. Quase todos os elementos que foram apresentados no Antigo Testamento contêm uma idéia transmitida por figuras. A primogenitura apresenta uma das mais importantes das figuras bíblicas. Quando Moisés construiu o tabernáculo, o fez com base em um modelo; a lei não apresentava a imagem exata das coisas, antes era só uma sobra das coisas futuras “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” Hb 10. 1. E o que a primogenitura nos apresenta? Após entendermos a primogenitura, poderemos verificar a que se refere esta importante figura bíblica. As figuras fazem referência a bens futuros e eternos. Nestas figuras contém elementos que nos faz perceber certos aspectos pertinentes ao que é permanente (eterno). Sabemos que Deus faz todas as coisas segundo o seu propósito. Deus propôs fazer convergir em Cristo todas as coisas para louvor de sua graça e glória. Ao falar do propósito eterno de convergir em Cristo todas as coisas na plenitude dos tempos, Deus falou ao rei Davi assim: “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” II Sm 7. 14. Ou seja, Deus demonstra a Davi qual seria a relação entre Deus e o descendente de Davi. Deus estabelece a relação de Pai e Filho ao falar de Jesus ao rei Davi. Por que Deus estabelece esta relação? Porque antes de existir mundo, na eternidade, não havia a relação Pai e Filho na divindade. Mas, ao ser introduzido o ‘Deus forte’ no mundo dos homens, passou a existir a relação Pai e Filho. Quando na glória, sabemos que Cristo criou todas as coisas “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” Cl 1. 16- 17, mas ao ser introduzido Cristo no mundo, pela relação que estava pré-estabelecida na eternidade, é dada a ordem: “E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” Hb 1. 6. Por que se fez necessário se estabelecer a relação de Pai e Filho quando o ‘Deus forte’ foi introduzido no mundo? “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” Is 9. 6. “Os restantes se converterão ao Deus forte, sim, os restantes de Jacó” Is 10:21. Porque Cristo é o unigênito do Pai, mas havia em Deus o propósito eterno de fazê-lo primogênito de toda a criação. Sabemos que Cristo é o unigênito de Deus em poder e glória, e isto não será alterado ao longo da eternidade, pois a ele glória e majestade para o todo sempre. Mas, para que Cristo se tornasse o primogênito de toda a criação, torna-se premente a existência de irmãos. Não há como existir a primogenitura se há só um Filho. Aqui se revela a multiforme sabedoria de Deus, em que Cristo foi feito um pouco menor que os anjos, porém todas as coisas lhe são sujeitas; e, por meio de Cristo, Deus trouxe à glória muitos irmãos (que somos nós, a igreja), cumprindo-se o propósito eterno de Cristo ser o primogênito de toda a criação. Como? Quando Cristo ressurgiu dentre os mortos, Ele tornou-se o primogênito dentre os mortos, e quando o cristão morre e ressurge com Cristo, também se torna um dos filhos de Deus, e Cristo vindica a posição sobre excelente de primogênito. Por quê? “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” Hb 2. 10. Por meio de Cristo tudo existe, mas convinha que Ele levasse à glória muitos irmãos, ou seja, filhos gerados de Deus. Como conseqüência direta de Jesus ter introduzido muitos filhos à glória, passou a existir a preeminência de Cristo: o primogênito dentre os mortos: “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” Cl 1. 18. Todos os que estão em Cristo, ou seja, que morreram e ressurgiram com Ele, não possuem alternativa. Haverão de ser filhos de Deus, predestinados, serão conforme a imagem de Cristo, com o único objetivo de Cristo ser primogênito dentre muitos irmãos “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” Rm 8. 29. Em decorrência destas verdades eternas é que se estabeleceu o direito de primogenitura. No primeiro momento temos a impressão que o direito de primogenitura não tem relação com estas verdades eternas, porém ao observarmos as declarações do apóstolo Paulo, nos inteiramos da seguinte verdade: a primogenitura foi estabelecida por Deus aos homens como figura de verdades eternas. Por isto faz-se necessário observarmos a relação fraternal entre Jacó e Esaú, pois nela temos que considerar o direito que decorre da primogenitura. Se olharmos a primogenitura do ponto de vista secular, geralmente ela é analisada como sendo regras pertinentes à sucessão hereditária, o que envolve deveres para com a família e direitos quanto a bens patrimoniais. Todas as vezes que se lê na bíblia que ‘fulano’ era o primogênito, a única relação que se estabelece é com relação ao direito do mais velho receber porção dobrada da herança. Mas, após verificarmos que a primogenitura é figura de conceitos espirituais, muda a maneira de se observar o porquê a bíblia enfatiza o direito proveniente da primogenitura. Paulo ao escrever aos cristãos em Roma faz referência a Esaú e Jacó da seguinte maneira:
O propósito inicial de nosso estudo é compreender os argumentos utilizados por Paulo para nos fazer chegar a conclusão de que não há injustiça da parte de Deus. Justamente a citação de Malaquias: “Amei a Jacó e aborreci a Esaú”, que muitos usam para afirmar que Deus foi parcial em favor de Jacó é o texto que Paulo utiliza para demonstrar que não há injustiça em Deus. Não há de maneira alguma injustiça da parte de Deus! Esta é a conclusão de Paulo. Mas, como chegar a tal conclusão diante dos argumentos que ele utilizou? Quando Paulo cita a história de Esaú e Jacó, ele faz referência a eventos que ocorreram antes do parto. Destes eventos ele destaca que os gêmeos ainda não haviam nascido (o que demonstra que eles não haviam feito bem ou mal), e Deus anunciou a Rebeca que o maior haveria de servir o menor. É certo que Deus adiantou a Rebeca que Esaú serviria a Jacó por meio de sua presciência, no entanto, a presciência não é a base da eleição. Da mesma forma a soberania de Deus não é a base para a eleição, visto que a eleição é a base para o seu propósito. Não! Não foi por meio destes elementos que Deus fez conhecido a Rebeca que Esaú serviria a Jacó.
Quais são os elementos que Paulo utiliza para afirma que não há injustiça da parte de Deus? Por meio da presciência divina Deus disse que o maior serviria o menor com base no que foi dito por intermédio de Malaquias: “Amei a Jacó, e aborreci a Esaú”. Observe a análise de Paulo:
Com base no que está escrito em Malaquias (com base em seu amor) é que Deus disse a Rebeca que o maior haveria de servir o menor. Se o amor é a base, não há como se considerar que a soberania e presciência de Deus é que demonstra a justiça de Deus. Por que é segundo o amor de Deus? Porque o amor de Deus é demonstrado em justiça e não em favoritismo pessoal. Com base nestes elementos Paulo conclui: “Que diremos, pois? Que há injustiça da parte de Deus?”. Novamente: Que elementos? Observe:
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| Atualizado em ( 29-Oct-2008 ) |
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